A internacionalização é o melhor caminho pós-pandemia para as empresas?

Artigo - internacionalização de produtos

Por Marcelo Souza Lima

Que a pandemia foi um dos maiores agravantes para que o mercado brasileiro se encontre em sua atual situação, todos sabemos. As questões envolvendo parceiros comerciais ficaram conturbadas no último ano e uma mudança na abordagem foi necessária para diversos setores.

O aumento do dólar e a desvalorização do mercado interno direcionaram os olhos dos gestores para o mercado externo. Esse crescimento do interesse pela exportação de bens acabados é confirmado pela recente pesquisa realizada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, inclusive. De acordo com a Apex-Brasil, cerca de 5.400 empresas decidiram se aventurar pela primeira vez na exportação no ano de 2020, o que contribuiu significativamente para o aumento da média anual em +7,3% entre 2015 e 2020.

Naturalmente, os especialistas concordam que apenas o aumento da moeda estrangeira não é o suficiente para sustentar a operação de comércio internacional das indústrias brasileiras. Com a pandemia da Covid-19, um interesse genuíno em explorar novos mercados foi instituído nessas organizações, principalmente pela necessidade de se manterem mais seguras em momentos de crise como o atual.

A procura por novos mercados estrangeiros também é fomentada pelo abalo sofrido por fornecedores das indústrias brasileiras. Após vivenciar uma realidade de forte alta nos preços de matérias-primas resultantes do desabastecimento mundial, as empresas brasileiras sentiram a necessidade de focar sua produção também nestes novos mercados.

E o que observamos em toda essa movimentação que vem acontecendo desde o início de 2020? Que as empresas brasileiras ainda não exploram de forma estratégica todas as opções de mercado, não possuem conhecimento a respeito dos benefícios disponíveis ou ainda tem bastante dificuldade para instaurar os processos necessários para a internacionalização de seus produtos.

Buscar conhecimentos para desenvolver operações comerciais com o exterior pode garantir um incremento das vendas. Entretanto, para se tornar competitivo e tornar os negócios internacionais sustentáveis, é preciso adotar uma estratégia que envolva toda a empresa e sua cadeia de fornecedores, para então partir para um plano de ação estruturado. Dessa forma, a recorrência das exportações e o aprofundamento das relações com os parceiros se tornam a virada de chave que as indústrias precisam.

Aliás, dentro deste contexto, é interessante que a gestão tenha claro o que consideramos efetivamente a internacionalização de produtos – o que vai muito além de apenas transações de compra e venda bem-sucedidas: é preciso ter conhecimento a respeito dos processos de importação, de exportação, das exigências do mercado internacional e peculiaridades de cada novo parceiro, dos benefícios fiscais disponíveis, dos tributos e taxas envolvidos em cada segmento.

Não menos importante, qualificar e oferecer os mecanismos necessários para que os colaboradores possam lidar com essas questões sem grandes entraves. Em muitos casos, vale a pena contar com o suporte de consultorias especializadas para lidar com questões técnicas cuja equipe interna não esteja suficientemente familiarizada.

Os órgãos oficiais responsáveis por lidar com as operações e consultorias especializadas como nós da SL2, estamos sempre disponibilizando informações úteis para dar o suporte necessário às indústrias brasileiras que atuam ou querem atuar no comércio exterior. Estar atualizado com as legislações e regras vigentes é fundamental para garantir a conformidade das operações. Essas ações servem para mitigar riscos a longo prazo, e não devem ser adotadas somente em casos de emergência.

Ao firmar os processos para a exploração do mercado externo, devemos fazer uma análise minuciosa de todas as variáveis financeiras da operação, principalmente no que diz respeito ao aproveitamento de benefícios concedidos, como os Regimes Aduaneiros Especiais.

Podemos pegar como exemplo algumas empresas com baixo volume de exportação e que ainda não exploraram as modalidades do benefício de Drawback. A vantagem financeira obtida por meio da suspensão ou isenção de tributos utilizando este regime especial traz vantagem competitiva para as operações futuras da indústria.

Os dados mais recentes divulgados pelo Ministério da Economia mostram que cerca de 29 mil empresas exportaram algum produto de janeiro até o momento da publicação deste artigo. Em termos de valores, somente em junho, o valor de exportações foi de US$ 28,1 bilhões, o que demonstra um crescimento de 61% em relação ao mesmo período do ano passado. 

A internacionalização dos produtos e a estruturação de processos relacionados à exportação são caminhos extremamente promissores que uma empresa pode tomar de 2022 em diante. Basta que o processo seja pautado nos direcionamentos corretos. Dessa forma, se torna possível aproveitar o momento para se firmar em novos mercados que podem apresentar oportunidades favoráveis para o seu empreendimento sem que haja tantos riscos.

A reinvenção do modelo de negócio de muitas empresas ao mesmo tempo pode inclusive ser o que o segmento necessita para atingir novos níveis, já que, entre as instabilidades comerciais apresentadas durante o período de quarentena, os números mostram que as taxas de exportação figuram entre as poucas que se recuperaram bem.

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